O professor que retorna à caverna: educação e conhecimento como libertação no Mito da Caverna de Platão
DOI:
https://doi.org/10.54899/dcs.v23i94.6891Palavras-chave:
Mito da Caverna, Educação, Professor, Conhecimento, EmancipaçãoResumo
Este artigo analisa o Mito da Caverna, apresentado no Livro VII de A República, como uma narrativa filosófica sobre formação, conhecimento e responsabilidade docente. Parte-se da seguinte questão: em que medida o professor pode ser compreendido como o prisioneiro libertado que retorna à caverna para colaborar com a libertação dos que permanecem acorrentados? Trata-se de um ensaio teórico, qualitativo, bibliográfico e hermenêutico, construído a partir do diálogo entre Platão e autores da filosofia e da teoria educacional, especialmente Paulo Freire, bell hooks, Jacques Rancière, Henry Giroux, Hannah Arendt, John Dewey e Gert Biesta. Sustenta-se que a analogia é fecunda quando o retorno à caverna representa compromisso ético, mediação pedagógica e criação de condições para que os estudantes interroguem as sombras que organizam sua percepção do mundo. Entretanto, ela se torna autoritária quando atribui ao professor o monopólio da luz e reduz os educandos a seres passivos. O conhecimento é libertador não por ser depositado de uma consciência em outra, mas porque possibilita a conversão do olhar, a investigação crítica, o diálogo e a ação refletida. Conclui-se que o professor que retorna à caverna não substitui sombras antigas por suas próprias certezas: ele compartilha instrumentos para que cada sujeito participe da construção de uma saída comum e sempre inacabada.
Downloads
Referências
ARENDT, Hannah. Entre o passado e o futuro. Tradução de Mauro W. Barbosa. 8. ed. São Paulo: Perspectiva, 2016.
BIESTA, Gert J. J. The beautiful risk of education. Boulder: Paradigm Publishers, 2013.
DEWEY, John. Democracia e educação: introdução à filosofia da educação. Tradução de Godofredo Rangel e Anísio Teixeira. 4. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1979.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 71. ed. Rio de Janeiro; São Paulo: Paz e Terra, 2019.
GIROUX, Henry A. Os professores como intelectuais: rumo a uma pedagogia crítica da aprendizagem. Tradução de Daniel Bueno. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.
hooks, bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. Tradução de Marcelo Brandão Cipolla. 3. ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2024.
PLATÃO. A República. Introdução, tradução e notas de Maria Helena da Rocha Pereira. 15. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2017.
RANCIÈRE, Jacques. O mestre ignorante: cinco lições sobre a emancipação intelectual. Tradução de Lílian do Valle. Belo Horizonte: Autêntica, 2007.
SANTOS, Patrícia Batista; NOGUEIRA, Edney Menezes. Educação escolar: uma lanterna no escuro da caverna. Revista Contemporânea de Educação, Rio de Janeiro, v. 15, n. 33, p. 147-161, 2020. DOI: 10.20500/v15i33.32523.
SILVA, Rubens Ribeiro Gonçalves da. Informação, ciberespaço e consciência. TransInformação, Campinas, v. 18, n. 3, p. 191-201, set./dez. 2006. DOI: 10.1590/S0103-37862006000300003.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Revista DCS

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
