TRAUMA E ESTRESSE EM COMUNIDADES QUILOMBOLAS NO BRASIL: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA SOBRE A SAÚDE MENTAL DOS POVOS ORIGINÁRIOS
DOI:
https://doi.org/10.54899/dcs.v23i95.6677Palavras-chave:
quilombola, saúde mental, EMDR, terapia cognitivo-comportamental, Terapia de Exposição NarrativaResumo
Os transtornos mentais afetam 15% da população mundial em idade ativa. No Brasil, 89,56% dos benefícios em afastamentos foram por incapacidade temporária por doença mental devido a estresse, ansiedade e depressão e aumentaram em 134% de 2022 a 2024. Experiências adversas na infância, exposição à violência em suas diversas manifestações, desastres ambientais, acidentes, racismo, discriminação, luto, baixa renda, baixo nível educacional e genética são fatores de risco para o adoecimento mental. Os quilombolas, grupo étnico-racial, descendentes de africanos escravizados, foram reconhecidos a partir da constituição de 1988. Identificados pela primeira vez no censo demográfico de 2022, representam 0,65% da população brasileira. A Fundação Cultural Palmares emitiu 2029 certificações, identificando 3591 comunidades quilombolas. Existem 1937 processos de regularização fundiária no INCRA, porém, de 2004 a 2025 foram emitidos apenas 180 títulos definitivos de propriedade, aumentando riscos de violência no campo, assassinatos, traumas e estresse constantes nessas famílias. Essa revisão baseou-se na metodologia PRISMA 2020, analisou 185 estudos, em bases de dados reconhecidas, identificou apenas 13 artigos sobre saúde mental dos quilombolas, nenhum sobre psicoterapias aplicadas. Observou alta taxa de ansiedade, depressão e violência psicológica nas mulheres, abuso de álcool e substâncias nos homens, dificuldades de aprendizagem em crianças e depressão em idosos. Sugere-se estudos sobre tratamento da saúde mental dos povos originários, articulação com as lideranças quilombolas para implantação de projetos de atendimento online com terapias baseadas em evidência, treinamento universitário e convênios do poder público e privado com o objetivo de levar saúde mental para essa população.
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