Sobrecarga digital, ruminação e ansiedade antecipatória como expressões contemporâneas de sofrimento psíquico comum na atenção primária: uma revisão de escopo
DOI:
https://doi.org/10.54899/dcs.v23i91.5880Palavras-chave:
Atenção Primária à Saúde, Saúde Mental, Sobrecarga Digital, Ruminação, Ansiedade Antecipatória, Sofrimento PsíquicoResumo
A Atenção Primária à Saúde (APS) ocupa posição estratégica na identificação e no manejo do sofrimento psíquico comum, frequentemente manifestado por sintomas inespecíficos como insônia, fadiga, irritabilidade, dificuldades de concentração e queixas somáticas. Paralelamente, a experiência contemporânea passou a ser marcada por conectividade contínua, aceleração informacional, uso intensivo de smartphones e exposição constante a redes sociais, fatores potencialmente associados ao sofrimento emocional. Esta revisão de escopo teve como objetivo mapear como a literatura científica descreve e relaciona a sobrecarga digital, a ruminação e a ansiedade antecipatória ao sofrimento psíquico comum no contexto da Atenção Primária à Saúde. O estudo foi conduzido segundo o framework de Arksey e O’Malley, os aprimoramentos metodológicos de Levac e as recomendações do Joanna Briggs Institute, com relato orientado pelo PRISMA-ScR. Foram realizadas buscas nas bases PubMed/MEDLINE, Embase, PsycINFO, Scopus e Web of Science, contemplando estudos publicados entre 2010 e 2025. A busca identificou 760 registros, dos quais 16 estudos atenderam aos critérios de elegibilidade e foram incluídos na síntese. Os resultados demonstraram associação consistente entre sobrecarga digital e desfechos negativos em saúde mental, especialmente ansiedade, depressão e alterações do sono. Além disso, a ruminação e a ansiedade antecipatória emergiram como mecanismos cognitivos transdiagnósticos relacionados à manutenção do sofrimento psíquico. Conclui-se que a interação entre ambiente digital, ruminação e ansiedade antecipatória pode contribuir para um padrão contemporâneo de sofrimento psíquico relevante para a APS, reforçando a necessidade de abordagens clínicas mais integrativas, contextualizadas e menos medicalizantes.
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