Custo humano oculto da inclusão: sujeitos neurodivergentes, sobrecarga familiar e repercussões na trajetória educacional no contexto das políticas de inclusão

Autores

  • José Neto de Oliveira Felippe
  • Waldyr Barcellos Júnior
  • Ana Cláudia Afonso Valladares-Torres
  • Carlos Alves Gomes dos Santos
  • Tiago Piñeiro Martins
  • Fabiano da Silva Araujo
  • Paulo Eduardo Silva Galvão
  • Rachel Cassiano de Sousa Lima
  • Luciana Guimarães Barbosa
  • Thiago Gadelha de Almeida
  • Raimundo Ayala Batista
  • Juliana da Silva Menezes
  • Leonardo Corrêa Costa
  • Joskarlleny Candido Costa
  • Osiel Andrade de Alcântara
  • Larissa Cristina Oliveira de Almeida
  • Jéssica Borges Teixeira

DOI:

https://doi.org/10.54899/dcs.v23i88.5082

Palavras-chave:

Educação Inclusiva, Neurodivergência, Sobrecarga Familiar, Trajetórias Educacionais

Resumo

A ampliação das políticas de educação inclusiva tem sido apresentada como um avanço civilizatório fundamental, orientado pelos princípios do direito à educação, da equidade e do reconhecimento da diversidade humana. No entanto, embora tais políticas tenham contribuído para o acesso de sujeitos neurodivergentes aos espaços escolares, diferentes estudos vêm evidenciando que sua implementação ocorre, muitas vezes, em contextos marcados por limitações estruturais, ausência de suporte institucional adequado e fragilidades na formação docente. Nesse cenário, a inclusão, frequentemente celebrada no plano normativo, passa a produzir tensões no cotidiano escolar e familiar, revelando dimensões pouco visibilizadas, entre elas, o custo humano oculto que recai sobre os próprios estudantes neurodivergentes e, de maneira significativa, sobre suas famílias. Partindo dessa problemática, o presente estudo tem como objeto de análise as implicações psicossociais, educacionais e familiares da inclusão de sujeitos neurodivergentes no contexto das políticas públicas educacionais brasileiras, com ênfase nas formas de sobrecarga vivenciadas pelas famílias e nas repercussões dessas dinâmicas na trajetória escolar dos estudantes. Diante disso, a pesquisa orienta-se pela seguinte pergunta de partida: em que medida as políticas de inclusão educacional, ao serem implementadas em contextos de insuficiência estrutural e apoio institucional limitado, contribuem para a produção de um custo humano oculto que se expressa na sobrecarga familiar e na reconfiguração das trajetórias educacionais de sujeitos neurodivergentes? Teoricamente, fizemos uso dos trabalhos de Ainscow, Booth e Dyson (2006), Angela Davis (2017; 2018), Apple (2011; 2019), Armstrong (2011; 2012; 2017), Arthur e Carly Fleischmann (2012), Attwood (2008), Ball (2005; 2008), Barnes e Mercer (2006), Beardon (2021), Black-Hawkins, Florian e Rouse (2007), Booth e Ainscow (1998), Dardot e Laval (2016), Davis (1995; 2017), Dawn (2021), Dowling (2021), Elson (1979; 1991), Engster (2007), Federici (2012; 2019; 2021), Folbre (2001; 2010a; 2010b), Fonseca (2004), Fraser (1997; 2020), Freire (2014a; 2014b; 2014c), Garland-Thomson (1997; 2009), Gilligan (2009; 2013), Goffman (2006), Goodley (2014), Grandin (2006), Grandin e Panek (2013), Held (2005), Higashida (2007), Hochschild (1985; 2012), Honneth (2003; 2015), Kittay (2019), Kittay e Carlson (2010), Linton (2020), Malhotra e Rowe (2013), Mantoan (2003), Morris (1991; 1993), Nolen-Hoeksema (2020), Oliver (2009), Paul, Pelphrey, Volkmar e Rogers (2014), Perspectives on Inclusive Education (2015), Prizant (2016), Robison (2008; 2011), Roulstone e Barnes (2005), Saviani (2008; 2011), Shakespeare (2013; 2018), Siebers (2008), Silberman (2015), Singer (2016), Szatmari (2004), Tronto (1993; 2013), Walker (2021), entre outros. A pesquisa é qualitativa (Minayo, 2007), bibliográfica e descritiva (Gil, 2007) e com o viés analítico compreensivo (Weber, 1949). Os resultados evidenciam que, em contextos de insuficiência estrutural, as políticas de inclusão tendem a deslocar responsabilidades para as famílias, produzindo sobrecarga material, emocional e organizacional no cotidiano. Constatou-se, ainda, que essa dinâmica repercute diretamente nas trajetórias educacionais de sujeitos neurodivergentes, gerando permanência com dificuldades, aprendizagem limitada e experiências de exclusão interna. Desse modo, os achados indicam que a inclusão, quando não acompanhada de suporte institucional efetivo, contribui para a produção de um custo humano invisibilizado que atravessa dimensões escolares, familiares e subjetivas.

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Publicado

27-03-2026

Como Citar

Felippe, J. N. de O., Barcellos Júnior, W., Valladares-Torres, A. C. A., Santos, C. A. G. dos, Martins, T. P., Araujo, F. da S., … Teixeira, J. B. (2026). Custo humano oculto da inclusão: sujeitos neurodivergentes, sobrecarga familiar e repercussões na trajetória educacional no contexto das políticas de inclusão. Revista DCS, 23(88), e5082. https://doi.org/10.54899/dcs.v23i88.5082

Edição

Seção

Artigos