Transformação digital e racionalidade burocrática: tensões entre eficiência operacional e julgamento contextual na administração judicial

Autores

DOI:

https://doi.org/10.54899/dcs.v23i88.4950

Palavras-chave:

Transformação Digital, Racionalidade Burocrática, Governança Algorítmica, Administração Judicial, Efetividade Pública

Resumo

Este artigo investiga como a transformação digital reconfigura a racionalidade burocrática ao codificar procedimentos organizacionais em sistemas algorítmicos. A partir de estudo de caso qualitativo na Justiça Militar da União (2020–2025), analisam-se o processo judicial eletrônico (e-Proc) e o assistente de inteligência artificial ChatJMU. Os dados, obtidos por análise documental, entrevistas semiestruturadas e registros administrativos, indicam ganhos substantivos de eficiência operacional – celeridade, rastreabilidade e conformidade regulatória – coexistindo com tensões na acomodação de casos complexos que demandam julgamento contextual. Argumenta-se que algoritmos não superam disfunções burocráticas, mas as rigidificam ao reduzir espaços informais de discricionariedade. A efetividade digital emerge, portanto, não da tecnologia isoladamente, mas da coordenação entre arquitetura sistêmica, redesenho organizacional e mecanismos de governança adaptativos. O estudo contribui ao articular a tradição weberiana, a Nova Gestão Pública e a Governança da Era Digital com a literatura sobre algoritmos e discricionariedade no setor público. Conclui-se que a transformação digital na administração judicial exige governança de exceções, curadoria institucionalizada e integração entre métricas operacionais e métricas de valor público.

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Publicado

13-03-2026

Como Citar

Carvalho, J. E. de S., & Castro, H. U. (2026). Transformação digital e racionalidade burocrática: tensões entre eficiência operacional e julgamento contextual na administração judicial. Revista DCS, 23(88), e4950. https://doi.org/10.54899/dcs.v23i88.4950

Edição

Seção

Artigos