Diagnóstico pré-natal de gémeos siameses: abordagens atuais de imagiologia e implicações perinatais
DOI:
https://doi.org/10.54899/dcs.v23i88.4856Palavras-chave:
Gêmeos Conjugados, Diagnóstico Pré-Natal, Ultrassonografia Obstétrica, Ressonância Magnética Fetal, Medicina FetalResumo
Os gêmeos conjugados, também conhecidos como gêmeos siameses, constituem uma condição rara da gemelaridade monozigótica, resultante de alterações ocorridas nas fases iniciais da embriogênese, caracterizadas pela fusão parcial ou total de estruturas corporais. Apesar de sua baixa incidência, essa condição representa um importante desafio para a medicina fetal, em razão da elevada morbimortalidade perinatal, da complexidade anatômica envolvida e das implicações éticas e terapêuticas associadas. O diagnóstico pré-natal assume papel central no manejo clínico desses casos, permitindo a identificação precoce do tipo de fusão, do compartilhamento de órgãos vitais e das anomalias associadas, fatores determinantes do prognóstico e da viabilidade de intervenções cirúrgicas. O presente estudo teve como objetivo revisar a literatura científica recente acerca do diagnóstico pré-natal da gemelaridade conjugada, com ênfase nos métodos de imagem utilizados e em suas implicações perinatais. Trata-se de uma revisão de escopo, conduzida conforme as diretrizes do Joanna Briggs Institute e reportada segundo o checklist PRISMA-ScR, a partir da análise de estudos publicados nos últimos cinco anos. Os resultados evidenciam que a ultrassonografia permanece como o principal método de rastreamento inicial, especialmente no primeiro trimestre, sendo complementada pela ecocardiografia fetal e pela ressonância magnética pré-natal para melhor caracterização anatômica e prognóstica. Conclui-se que o diagnóstico pré-natal precoce, fundamentado em métodos de imagem avançados, é essencial para o planejamento do cuidado obstétrico e neonatal, o aconselhamento parental e a tomada de decisões clínicas em gestações com gêmeos conjugados.
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