Da educação bancária à educação libertadora – entre a reprodução das desigualdades e a formação de sujeitos críticos: fundamentos, tensões e possibilidades da práxis emancipadora em Paulo Freire

Autores

  • Jefferson Fellipe Jahnke
  • Terezinha Sirley Ribeiro Sousa
  • Angélica Bittencourt Galiza
  • Josimar Soares da Silva
  • Rafael Bianchini Glavam
  • Kátia Cilene Amorim Gomes
  • Ana Paula Ferreira Pedroso
  • Adalberto Pereira Neris
  • Natália Fernandes da Paixao
  • João Vitor de Castro Vilanova
  • Jefferson José Oliveira Chagas de Souza
  • Brenda Thalita Paiva Carneiro de Sousa
  • Flávia Vitória Oliveira Almeida
  • Juvan da Cunha Ferreira
  • Sandra Constâncio Dias da Silva
  • Thaise Alves de Oliveira Fernandes

DOI:

https://doi.org/10.54899/dcs.v23i87.4597

Palavras-chave:

Educação Bancária, Educação Libertadora, Práxis Emancipadora, Consciência Crítica

Resumo

Nas últimas décadas, a educação básica e superior tem sido atravessada por reformas marcadas pela padronização curricular, pela intensificação de avaliações em larga escala e pela centralidade de métricas de desempenho que redefinem o sentido da formação escolar. Nesse cenário, a escola tende a ser tensionada entre dois projetos antagônicos: de um lado, práticas que reforçam a transmissão acrítica de conteúdos e a adaptação dos sujeitos às exigências sociais já postas; de outro, perspectivas pedagógicas que compreendem a educação como prática política, dialógica e transformadora. É nesse campo de disputas que ganha relevo a reflexão freireana sobre a educação bancária – entendida como modelo de ensino que reduz o estudante à condição de recipiente passivo – e a educação libertadora, orientada pela problematização da realidade e pela construção coletiva do conhecimento. Diante desse contexto, o presente artigo toma como objeto de análise a tensão estrutural entre educação bancária e educação libertadora na obra de Paulo Freire, investigando em que medida tais paradigmas expressam projetos distintos de sociedade, de sujeito e de prática pedagógica. Parte-se do entendimento de que a educação bancária não se limita a uma metodologia, mas constitui uma racionalidade formativa que reproduz desigualdades sociais, naturaliza hierarquias e enfraquece a consciência crítica. Em contraposição, a educação libertadora é examinada como proposta de práxis emancipadora, ancorada no diálogo, na problematização e na historicidade dos sujeitos, capaz de articular reflexão e ação transformadora. Como pergunta de partida, indaga-se: em que medida a superação da educação bancária pela educação libertadora, nos termos propostos por Paulo Freire, pode contribuir para a formação de sujeitos críticos e para a construção de práticas pedagógicas comprometidas com a transformação das estruturas sociais desiguais? Teoricamente, foram utilizados os trabalhos de Freire (1992; 1997; 2014a; 2014b; 2014c; 2017), Marx (1972; 1993; 1996), Marx e Engels (1997), Gramsci (1982; 1999; 2001; 2007a; 2007b), Saviani (2008; 2011; 2013; 2018; 2019), Apple (1999; 2003; 2011; 2012), Ball (2008), Dardot e Laval (2014; 2016), Antunes (2005; 2006; 2018), Antunes e Pinto (2017), McLaren (2005; 2014), Frigotto (2010), entre outros. A pesquisa é de cunho qualitativo (Minayo, 2007), bibliográfica e descritiva (Gil, 2008) e com o viés analítico compreensivo (Weber 1949). Os resultados evidenciam que a educação bancária opera como racionalidade reprodutivista que naturaliza desigualdades e fragiliza a consciência crítica, enquanto a educação libertadora se configura como práxis emancipadora capaz de articular diálogo, problematização e ação transformadora. Constatou-se que a superação da lógica bancária exige reconfiguração das relações pedagógicas, da autoridade docente e do currículo, deslocando a escola do eixo da adaptação para o da transformação social. Demonstrou-se, ainda, que práticas dialógicas e contextualizadas fortalecem a formação de sujeitos históricos capazes de intervir criticamente na realidade.

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Publicado

13-02-2026

Como Citar

Jahnke, J. F., Sousa, T. S. R., Galiza, A. B., Silva, J. S. da, Glavam, R. B., Gomes, K. C. A., … Fernandes, T. A. de O. (2026). Da educação bancária à educação libertadora – entre a reprodução das desigualdades e a formação de sujeitos críticos: fundamentos, tensões e possibilidades da práxis emancipadora em Paulo Freire. Revista DCS, 23(87), e4597. https://doi.org/10.54899/dcs.v23i87.4597

Edição

Seção

Artigos