A incompatibilidade normativa entre fazendas verticais e a legislação de produção orgânica no Brasil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.54899/dcs.v23i91.5848

Palavras-chave:

Agricultura Vertical, Produção Orgânica, Certificação Orgânica, Sustentabilidade, Direito do Agronegócio

Resumo

O presente artigo analisa a incompatibilidade normativa entre as fazendas verticais e a legislação brasileira de produção orgânica, com foco na exigência do “solo vivo” prevista na Lei nº 10.831/2003 e em normas complementares do Ministério da Agricultura e Pecuária. Parte-se da constatação de que a agricultura vertical, por meio de sistemas como hidroponia e aeroponia, constitui inovação tecnológica capaz de promover elevada eficiência no uso de recursos naturais, redução do emprego de insumos químicos e produção de alimentos em ambientes urbanos controlados, mas permanece excluída do sistema nacional de certificação orgânica em razão da ausência de vínculo direto com o solo. O estudo examina o marco legal da produção orgânica brasileira, os desafios associados ao uso de energia e o conflito normativo decorrente da interpretação restritiva da legislação vigente. A partir de abordagem jurídico-dogmática, demonstra-se que o entrave à certificação desses sistemas não decorre de insuficiência ambiental, mas de uma concepção normativa tradicional de organicidade centrada na materialidade do solo. Conclui-se que a exigência do “solo vivo” configura critério material desproporcional frente à finalidade ambiental da Lei nº 10.831/2003, sendo necessária a atualização do marco regulatório para incorporar critérios objetivos de equivalência ambiental. Tal atualização pode ocorrer por meio de interpretação administrativa mais flexível ou por revisão legislativa, de modo a compatibilizar inovação tecnológica, sustentabilidade e segurança jurídica.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

BRASIL. Lei nº 10.831, de 23 de dezembro de 2003. Dispõe sobre a agricultura orgânica e dá outras providências. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 24 dez. 2003.

BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Súmula nº 613. Não se admite a aplicação da teoria do fato consumado em tema de Direito Ambiental.

BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 3540.

ELBARDISY, A. et al. Sustainable refurbishment of abandoned urban areas: the case study of former SIAPA area, Galliera – Bologna, Italy. IOP Conference Series: Earth and Environmental Science, v. 863, n. 1, p. 012014, 1 out. 2021.

EMANI, E. D. S. K. R. A Study on Water Use Efficiency and Pollution Control by Hydroponic Technology. SSRN Electronic Journal, 2018.

FINATTO, R. A.; EDUARDO, M. F.; KONRAD, J. Espacialização e dinâmica temporal dos Sistemas Orgânicos de Produção Agropecuária no Brasil. Revista NERA, v. 27, n. 3, 2024.

LANGENDAHL, P.-A.; TUNBERG, M.; KOKKO, S. Smart Urban Agriculture: exploring its development in Sweden. Swedish University of Agricultural Sciences, 2022. Disponível em: https://res.slu.se/id/publ/119980. Acesso em: 10 fev. 2025.

MACHADO, B. S.; NEVES, M. C. R.; BRAGA, M. J. Produção orgânica na agricultura familiar brasileira: o impacto do Pronaf como política de (des)incentivo. Revista de Economia e Sociologia Rural, v. 63, p. e293071, 2025.

MADAIL, J. C. M.; BELARMINO, L. C.; BINI, D. A. Evolução da produção e mercado de produtos orgânicos no Brasil e no mundo. 2011. Disponível em: https://api.semanticscholar.org/CorpusID:109537324. Acesso em: 13 set. 2025.

MUÑOZ, C. M. G. et al. Normativa de produção orgânica no Brasil: a percepção dos agricultores familiares do assentamento da Chapadinha, Sobradinho (DF). Revista de Economia e Sociologia Rural, v. 54, n. 2, p. 361–376, 2016.

ORGANIC TRADE ASSOCIATION. US-Japan Equivalence Agreement. Disponível em: https://www.ota.com/international-trade/trade-agreements/us-japan-equivalence-agreement. Acesso em: 13 set. 2025.

ROCHA, J. C. S. da. O que é sustentabilidade. 2. ed. Belo Horizonte: Editora Expert, 2023.

SÃO PAULO (Estado). Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística. Lei da agricultura orgânica. In: Prateleira Ambiental. Disponível em: https://semil.sp.gov.br/educacaoambiental/prateleira-ambiental/lei-da-agricultura-organica. Acesso em: 13 set. 2025.

VEIGA, J. E. da. Sustentabilidade: a legitimação de um novo valor. 3. ed. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2019.

ZHDANOVA, Y.; DOROKHINA, H. Principles of integrity and harmonization of architectural and spatial solutions for vertical farms. Current Problems of Architecture and Urban Planning, n. 68, p. 215–227, 2024.

Downloads

Publicado

11-06-2026

Como Citar

Souza, K. F. de, & Jacob, M. A. (2026). A incompatibilidade normativa entre fazendas verticais e a legislação de produção orgânica no Brasil. Revista DCS, 23(91), e5848. https://doi.org/10.54899/dcs.v23i91.5848

Edição

Seção

Artigos