Otimização da transição do cuidado pós-alta: desospitalização como estratégia para reduzir custos evitáveis e melhorar a capacidade hospitalar
DOI:
https://doi.org/10.54899/dcs.v23i89.5155Palavras-chave:
Desospitalização, Transição do Cuidado, Continuidade Assistencial, Custos Evitáveis, Capacidade HospitalarResumo
Este artigo discute a desospitalização como estratégia de continuidade assistencial no cuidado pós-alta, com ênfase em seu potencial para qualificar a transição do cuidado, reduzir custos evitáveis e melhorar a capacidade hospitalar. Parte-se do entendimento de que a alta hospitalar, isoladamente, não representa resolução do cuidado, uma vez que a passagem entre ambientes assistenciais exige coordenação clínica, comunicação interprofissional e suporte institucional compatível com a condição do paciente. Trata-se de estudo teórico-analítico, de natureza qualitativa, fundamentado em revisão narrativa da literatura orientada pelo problema de pesquisa. O corpus foi composto por estudos nacionais e internacionais, documentos normativos e materiais institucionais relacionados à desospitalização, à atenção domiciliar, à transição do cuidado, ao tempo médio de permanência, às readmissões e aos custos assistenciais. A análise foi conduzida por organização temática e articulação interpretativa entre literatura científica, bases normativas e dados organizacionais. Os resultados indicam que a desospitalização, quando estruturada como estratégia de continuidade do cuidado, favorece a redução de permanências hospitalares evitáveis, amplia a eficiência no uso de leitos, qualifica a atenção no domicílio e contribui para a redução de gastos associados à fragmentação assistencial. Em contrapartida, quando conduzida de forma pontual e desarticulada, tende a intensificar vulnerabilidades no pós-alta, ampliar o risco de reinternações e comprometer a capacidade hospitalar ao manter fluxos ineficientes de cuidado. Conclui-se que a desospitalização deve ser compreendida menos como ato administrativo de saída hospitalar e mais como dispositivo de reorganização da jornada assistencial, cuja efetividade depende da articulação entre serviços, da transição segura do cuidado e de mecanismos institucionais capazes de sustentar a continuidade terapêutica fora do hospital, com repercussões relevantes para a qualidade assistencial, a eficiência organizacional e a sustentabilidade econômica.
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