PANORAMA DA PRÁTICA GINECOLÓGICA E DA ESTÉTICA ÍNTIMA FEMININA EM GOVERNADOR VALADARES-MG: PERFIL PROFISSIONAL E TERRITORIALIZAÇÃO DO CUIDADO
DOI:
https://doi.org/10.54899/dcs.v22i85.4019Palavras-chave:
Corpo-território, Estética Íntima Feminina, Ginecologia Regenerativa, Rejuvenescimento Íntimo, TerritorialidadeResumo
Na contemporaneidade, a busca por padrões de beleza e bem-estar estendeu-se também à região genital, impulsionando o surgimento da ginecologia estética ou regenerativa, voltada à abordagem de aspectos estéticos e funcionais da genitália feminina. Essa área tem adquirido crescente relevância no cuidado à saúde feminina, especialmente pela incorporação de tecnologias, técnicas minimamente invasivas e reconfigurações simbólicas do corpo feminino. Este estudo teve como objetivo analisar o perfil dos profissionais atuantes na prática ginecológica e na estética íntima feminina, identificando como esses serviços se territorializam e se organizam no contexto local de cuidado à saúde da mulher. Trata-se de um estudo observacional, descritivo, de modelo transversal, que utilizou uma abordagem quantitativa. A amostra foi do tipo censitária composta por 30 ginecologistas. Foram incluídos médicos de ambos os sexos, com Residência Médica ou Título de Especialista em Ginecologia há pelo menos 5 anos, e que atuam no município há pelo menos 3 anos. Os dados foram coletados por meio de questionário estruturado via Google Forms, no qual foram incluídas variáveis sociodemográficas, profissionais e relacionadas à prática em estética íntima, incluindo formação, atuação assistencial, tipos de procedimentos realizados, frequência da demanda e percepções dos médicos sobre benefícios, publicidade e capacitação. A análise foi realizada no software SPSS-21.0. Os resultados evidenciaram um perfil predominantemente masculino (63%), com maioria de profissionais abaixo dos 50 anos e tempo de formação inferior a 20 anos (53%). 80% dos participantes atuam simultaneamente nos setores público e privado e exerce atividades ambulatoriais associadas à prática cirúrgica (86,7%). Além disso, 66,6% realizam procedimentos de estética íntima, com destaque para labioplastia/ninfoplastia e colpoperineoplastia entre as técnicas cirúrgicas, e para laser, radiofrequência, fios de PDO, peeling íntimo e bioestimuladores entre as técnicas não cirúrgicas. As demandas estéticas surgem de forma moderada, mas acompanhadas de abordagem clínica ativa por parte dos profissionais e crescente influência de informações externas sobre as pacientes. Observou-se também importante movimento de qualificação técnica, com 40% já capacitados e ampla disposição para formação continuada. Conclui-se que o perfil dos profissionais revela um grupo profissional masculino, jovem e distribuído entre diferentes espaços assistenciais — consultórios, hospitais, setor público e privado — configurando uma dinâmica de multiterritorialidade característica da prática ginecológica contemporânea. A realização de procedimentos de estética íntima por grande parte dos profissionais indica uma expansão do território da ginecologia, incorporando técnicas cirúrgicas e minimamente invasivas orientadas tanto por demandas funcionais quanto estéticas.
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