SINAIS SECRETOS E COMUNICAÇÃO ENTRE CRISTÃOS-NOVOS NO ESPAÇO ATLÂNTICO (SÉCULOS XVI–XVII): UMA ANÁLISE DOCUMENTAL DE PROCESSOS INQUISITORIAIS
DOI:
https://doi.org/10.54899/dcs.v22i85.3922Palavras-chave:
Cristãos-Novos, Inquisição, Sinais Secretos, Criptojudaísmo, Comunicação SecretaResumo
Este artigo investiga os sinais gestuais, códigos escritos rudimentares e formas de comunicação secretas empregados por cristãos-novos no espaço atlântico entre os séculos XVI e XVII, com base em processos inquisitoriais provenientes de Lisboa, Coimbra, Évora, Bahia, México, Cartagena de Índias e Lima. A partir de uma análise documental comparada, demonstra-se a existência de um repertório comum de gestos — especialmente toques discretos no peito, movimentos das mãos e inclinações de cabeça — utilizados como forma de reconhecimento mútuo entre membros da chamada “Nação portuguesa”. Argumenta-se que tais práticas não eram episódicas, mas integravam um sistema de comunicação estruturado e difundido nas redes judaico-conversas do império ibérico, articulando corpo, escrita e linguagem codificada. Dialogando com a historiografia sobre cristãos-novos, Inquisição e criptojudaísmo (Saraiva, 1985; Bethencourt, 2000; Novinsky, 2012; Schwartz, 2009), examina-se a dimensão social e performativa desses sinais no interior de comunidades submetidas à vigilância. Propõe-se, ao final, uma tipologia dos sinais secretos e discute-se sua função social no contexto de perseguição inquisitorial, gestão da confiança e manutenção de laços identitários secretos numa diáspora luso-atlântica fragmentada, porém interconectada.
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