CORPOS VISÍVEIS, RECONHECIMENTO NEGADO: EXPERIÊNCIAS DE CONSUMO DE NEGROS ASCENDENTES EM ESPAÇOS RACIALIZADOS
DOI:
https://doi.org/10.54899/dcs.v22i85.3904Resumo
Este artigo investiga como pessoas negras em posição de ascensão social constroem suas experiências de consumo em espaços tradicionalmente associados à branquitude e ao prestígio simbólico. A partir de uma abordagem qualitativa crítica e de entrevistas em profundidade com dez participantes residentes no eixo Rio–São Paulo, utilizou-se a Análise de Conteúdo Qualitativa Estrutural (Mayring, 2002; 2014) para interpretar as falas com base em três categorias teóricas: I) invisibilidade simbólica; II) visibilidade racializada e vigilância social; e III) identidade negra no consumo. Os resultados revelam que o consumo, além de prática econômica, constitui-se como campo de disputa simbólica, onde operam dinâmicas de exclusão racial, vigilância seletiva e resistência identitária. A presença negra nesses espaços é tensionada por mecanismos de silenciamento, estigmatização e estratégias performativas de pertencimento. As conclusões apontam para a urgência de políticas públicas e práticas organizacionais mais inclusivas no campo do consumo e da gestão, ressaltando o papel da representatividade, do reconhecimento e da justiça racial como dimensões estratégicas para a Administração contemporânea.
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