MAIS QUE SOCIOECONOMIA: POR UMA LEITURA ANTROPOLÓGICA DO MEIO SOCIAL NO LICENCIAMENTO AMBIENTAL

Autores

  • Felipe Silva Sales

DOI:

https://doi.org/10.54899/dcs.v22i85.3897

Palavras-chave:

Licenciamento Ambiental, Antropologia Ambiental, Justiça Socioambiental, Conflitos Territoriais

Resumo

Este artigo analisa criticamente a construção histórica da dimensão social no licenciamento ambiental brasileiro, evidenciando como os estudos tradicionalmente classificados como “socioeconômicos” têm se mostrado insuficientes para capturar a complexidade dos impactos sociais. A partir do contexto da expansão dos empreendimentos de energia renovável no Nordeste, argumenta-se que a abordagem vigente (centrada em indicadores estatísticos e análises fragmentadas) precisa ser superada por uma leitura antropológica comprometida com os vínculos simbólicos, culturais e territoriais das comunidades afetadas. Demonstrando que os conflitos socioambientais emergem não apenas da ausência de dados, mas da falta de escuta qualificada e reconhecimento das territorialidades, o artigo propõe uma reformulação metodológica e institucional. Defende-se a adoção de instrumentos etnográficos, a presença obrigatória de profissionais das ciências sociais e a reorganização dos eixos analíticos dos estudos sociais no licenciamento. A escuta ativa, a mediação sociocultural e o respeito às narrativas locais são apresentados como pilares de um licenciamento ambiental mais legítimo, eficaz e democrático. Conclui-se que, em tempos de emergência climática e transição energética, a centralidade da perspectiva antropológica não é um diferencial técnico, mas uma exigência ética e política para garantir justiça socioambiental e prevenir a inviabilização de projetos estratégicos.

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Publicado

12-12-2025

Como Citar

Sales, F. S. (2025). MAIS QUE SOCIOECONOMIA: POR UMA LEITURA ANTROPOLÓGICA DO MEIO SOCIAL NO LICENCIAMENTO AMBIENTAL. Revista DCS, 22(85), e3897. https://doi.org/10.54899/dcs.v22i85.3897

Edição

Seção

Artigos