A EXPERIÊNCIA DO TRAUMA NO ROMANCE MEMORIAL: ACTING-OUT E WORKING-THROUGH EM SOLO QUEDA SALTAR (2018), DE MARÍA ROSA LOJO
DOI:
https://doi.org/10.54899/dcs.v22i82.3407Palavras-chave:
Trauma, Memória cultural, Romance memorial, Mobilidades transculturais, María Rosa LojoResumo
O presente artigo analisa o romance Solo queda saltar (2018), de María Rosa Lojo, inscrito na tradição do romance memorial, gênero que articula ficção, autobiografia e testemunho histórico. A obra aborda a experiência do exílio, das mobilidades transculturais e da transmissão intergeracional do trauma para construir uma tessitura narrativa bivalente, estruturada pelas vozes femininas de Celia e Isolina. O diário de Celia encena a compulsão de repetição típica do acting-out, enquanto as memórias de Isolina exemplificam o working-through, configurando-se como instância de elaboração crítica. A análise parte das contribuições de Freud, Ferenczi, Caruth, LaCapra, Seligmann-Silva, Bernd e Sarlo, situando o romance como espaço de resistência simbólica e cultural. Argumenta-se que Solo queda saltar reinscreve literariamente o irrepresentável, propondo uma ética da memória e da criação, na qual a literatura se converte em laboratório de memória e em dispositivo de reconfiguração identitária no Atlântico Sul.
Downloads
Referências
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. 3. ed. Washington, DC: APA, 1980.
AMERY, Jean. Além do crime e do castigo: ensaio para superar o insuportável. São Paulo: Editora Perspectiva, 1995.
BARI, Camila B. de. La Guerra Civil y el exilio transatlántico en Solo queda saltar: novela de formación femenina de María Rosa Lojo. Anales de Literatura Hispanoamericana, n. 50, p. 49-61, 2021.
BERND, Zila. Memória e identidade cultural. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2003.
BERND, Zila. Cartografias da memória: literatura, testemunho e pós-colonialismo. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2009.
BREUER, Josef; FREUD, Sigmund. Estudos sobre a histeria (1895). In: FREUD, Sigmund. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996. v. II.
COELHO, María Josele Bucco. La consciencia de sí y del mundo bajo los procesos de movilidad transcultural: la lectura de la novela memorial Solo queda saltar (2018), de María Rosa Lojo. Anales de Literatura Hispanoamericana, v. 50, p. 63-71, 2021.
CARUTH, Cathy. Unclaimed Experience: Trauma, Narrative and History. Baltimore: Johns Hopkins University Press, 1996.
FELMAN, Shoshana; LAUB, Dori. Testimony: Crises of Witnessing in Literature, Psychoanalysis and History. New York: Routledge, 1992.
FERNÁNDEZ-SANTIAGO, Miriam. ‘Acting-Out’ and ‘Working-Through’ Departure in Thomas Pynchon’s Bleeding Edge. Nordic Journal of English Studies, v. 18, n. 2, p. 86–110, 2019.
FERENCZI, Sándor. Confusão de línguas entre os adultos e a criança (1933). In: ______. Psicanálise IV. São Paulo: Martins Fontes, 2011. p. 107-120.
FREUD, Sigmund. Além do princípio do prazer (1920). In: ______. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996. v. XVIII.
JANET, Pierre. L’évolution de la mémoire et de la notion du temps. Paris: Alcan, 1925.
LACAPRA, Dominick. Writing History, Writing Trauma. Baltimore: Johns Hopkins University Press, 2001.
LAPLANCHE, Jean; PONTALIS, Jean-Bertrand. Vocabulário da psicanálise. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
LÁSTERO, Lucila. El infinito vaivén. España y América Latina en Finisterre y Solo queda saltar, de María Rosa Lojo. Diablotexto Digital. Revista de Crítica Literaria, n. 21, p. 1-16, 2020.
LEVI, Primo. É isto um homem? Rio de Janeiro: Rocco, 1988.
LOJO, María Rosa. Solo queda saltar. Buenos Aires: Santillana/Loqueleo, 2018.
MOYA, Micaela. “Todo viaja conmigo”: reseña de Solo queda saltar de María Rosa Lojo. Catalejos, Mar del Plata, v. 5, n. 10, p. 258-263, 2020.
RICOEUR, Paul. A memória, a história, o esquecimento. Campinas: Editora da Unicamp, 2007.
SARLO, Beatriz. Tiempo pasado: cultura de la memoria y giro subjetivo. Buenos Aires: Siglo XXI, 2007.
SELIGMANN-SILVA, Márcio. O testemunho: entre a literatura e a história. São Paulo: Editora 34, 2003.
WINNICOTT, Donald W. O ambiente e os processos de maturação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1983.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Revista DCS

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
