MERITOCRACIA E DESIGUALDADE
Resumo
Imagine que um número cada vez maior e mais influente de pessoas
passam a considerar o «mérito» moralmente louvável, a origem de todas
nossas fortunas. Difundem airados libelos nos que mostram — de forma
mais ou menos rebuscada, exagerando uns aspectos e minimizando outros
— como ao longo da história e no presente o «mérito» está vinculado a
uma indizível quantidade de vantagens e exigem que se ensine nas escolas
o bom que é; propõem que os meios de comunicação sensibilizem sobre
isso, assim como leis para validá-lo e maior empenho estatal para fomentálo. Por certo suas intenções são nobres, só querem incrementar ou
potencializar o «mérito» e que assim todos sejamos mais felizes. Se
alguém criticar ou mostrar algum tipo de oposição a essa ideologia é
porque se trata de um partidário do «fracasso» (ainda que o negue) e, uma
vez identificado, já não importa o que argumente, porque seguro que são
somente mentiras. Ou com nós outros ou contra nós. De forma que ser
tachado de «fracassionista» passaria a converter-se no pior estigma, o que
iria alhanando qualquer oposição e, por outra parte, incrementando o
número de partidários nas próprias filas, pois as pessoas tendem a
considerar que o correto é aquilo que a gente de seu entorno considera
correto.3
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