Conformidade ambiental e crédito rural: compliance preventivo e mitigação de riscos regulatórios
DOI:
https://doi.org/10.54899/dcs.v23i92.6361Palavras-chave:
Crédito Rural, Monitoramento Ambiental Automatizado, Compliance Ambiental, Criminalização Algorítmica, Resoluções CMNResumo
O presente artigo investiga em que medida os sistemas de monitoramento ambiental remoto utilizados como subsídio para decisões de concessão de crédito rural podem produzir efeitos materialmente sancionatórios sem observância plena das garantias constitucionais do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal. O problema de pesquisa decorre da utilização regulatória de dados de sensoriamento remoto que não realizam a qualificação jurídica das intervenções detectadas, de modo que produtores rurais em conformidade com o Código Florestal podem ser submetidos a restrições creditícias antes da verificação da regularidade da supressão vegetal. A consequência da utilização de inferências algorítmicas para fins de avaliação de risco ambiental e de acesso ao crédito rural pode ser a formação de um modelo de responsabilização indireta, apto a produzir consequências jurídicas relevantes antes da efetiva comprovação de irregularidade ambiental. O objetivo geral é analisar a relação entre automação regulatória, conformidade ambiental e acesso ao crédito rural no Brasil, caracterizando o fenômeno da criminalização algorítmica. São objetivos específicos: examinar a cadeia normativa que condiciona o crédito rural à conformidade ambiental; investigar as limitações técnicas e jurídicas dos sistemas de sensoriamento remoto na qualificação da legalidade das intervenções; caracterizar a criminalização algorítmica como categoria analítica e seus efeitos materialmente sancionatórios; e sistematizar uma estrutura de compliance ambiental preventivo como possível resposta ao problema diagnosticado. Adotou-se metodologia qualitativa, de natureza bibliográfica e documental, mediante análise da cadeia normativa formada pelas Resoluções CMN nº 5.081/2023, 5.158/2024, 5.193/2024, 5.268/2025 e 5.303/2026 e da literatura sobre governança algorítmica, opacidade decisória e compliance ambiental, tendo como referencial empírico a crise operacional decorrente da implementação da Resolução CMN nº 5.268/2025, posteriormente revista pela Resolução CMN nº 5.303/2026. Declara-se, para fins de transparência científica, o emprego de ferramenta de inteligência artificial generativa em etapas auxiliares de revisão linguística e de organização textual, tendo permanecido sob responsabilidade exclusiva dos autores a concepção da pesquisa, a análise jurídica, a seleção das fontes e as conclusões apresentadas. As hipóteses indicam que o compliance ambiental pode atuar como mecanismo de mitigação de falsos positivos, de fortalecimento da segurança jurídica e de proteção do produtor rural regularizado diante da utilização crescente de processos decisórios automatizados na regulação ambiental e creditícia, reduzindo, ainda, o risco de que a pressão gerada por bloqueios indevidos induza condutas irregulares na regularização ambiental.
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