Educar para o corpo e o cuidado: perspectivas sobre sexualidade infantil na educação
DOI:
https://doi.org/10.54899/dcs.v23i88.4985Palavras-chave:
Sexualidade Infantil, Educação Infantil, Cuidado, Corpo, Formação DocenteResumo
A sexualidade infantil, embora constitua uma dimensão legítima do desenvolvimento humano, ainda é cercada por silêncios, tabus e interpretações equivocadas no contexto escolar, especialmente na Educação Infantil. A abordagem desse tema costuma ser evitada ou tratada de forma repressiva, reflexo de uma formação docente insuficiente e de uma visão adultocêntrica que associa sexualidade à erotização precoce. Diante disso, este artigo tem como objetivo investigar as percepções sobre sexualidade na Educação Infantil, analisando de que forma a escola compreende, enfrenta e media pedagogicamente as manifestações afetivas e corporais das crianças em seu cotidiano profissional, objetiva-se também propor práticas pedagógicas voltadas à educação sexual na Educação Infantil, compreendendo-a como uma dimensão fundamental dos direitos da criança, do cuidado, da afetividade e do respeito à corporeidade e à diversidade. Justifica-se este estudo pela necessidade de romper com discursos moralizantes e construir práticas pedagógicas fundamentadas no cuidado, na escuta e no respeito ao corpo infantil. A metodologia adotada é qualitativa, com base em revisão bibliográfica, considerando uma abordagem interpretativa. O referencial teórico fundamenta-se em autores como Michel Foucault, Sigmund Freud, Guacira Louro, Marisa Correa e Nel Noddings, que discutem a sexualidade como construção social, histórica e relacional, além da dimensão ética do cuidado na prática educativa. Os resultados revelam caminhos promissores em que a sexualidade infantil é compreendida como expressão do desenvolvimento e do afeto, sendo mediada com escuta sensível, diálogo e respeito aos direitos da criança. Conclui-se que investir na formação docente, a partir de uma perspectiva crítica e ética sobre sexualidade, corpo e cuidado, é fundamental para promover ambientes educativos mais seguros, afetivos e inclusivos.
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