EFEITOS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS SOBRE O ESTRESSE TÉRMICO OCUPACIONAL E A PRODUTIVIDADE CAFEEIRA NO BRASIL (2010–2024)
DOI:
https://doi.org/10.54899/dcs.v22i82.3332Palavras-chave:
Café, IBUTG, Produtividade Agrícola, Sobrecarga Térmica, Saúde OcupacionalResumo
A cafeicultura brasileira, reconhecida mundialmente pela expressividade econômica e social, enfrenta novos desafios diante das mudanças climáticas, que ampliam a vulnerabilidade de trabalhadores rurais e impactam o rendimento agrícola. A elevação progressiva das temperaturas médias e a maior incidência de eventos extremos aumentam os riscos de estresse térmico ocupacional, especialmente em atividades a céu aberto. Nesse contexto, o Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo (IBUTG) destaca-se como ferramenta essencial para avaliar a exposição ao calor e subsidiar medidas preventivas em saúde ocupacional. Objetivou-se analisar a evolução da temperatura do ar entre 2010 e 2024 nas principais cidades cafeeiras brasileiras, avaliando seus efeitos sobre a sobrecarga térmica ocupacional (IBUTG) e a produtividade agrícola, esta última correlacionada diretamente à temperatura ambiente. Foram selecionados seis municípios que mais produziram café no período avaliado da cafeicultura nacional (Cacoal/RO, Porto Seguro/BA, Linhares/ES, Muriaé/MG, Patrocínio/MG e Varginha/MG), com base em dados meteorológicos do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e séries históricas de produção de café. Os resultados indicaram tendência de aumento do estresse térmico, com frequentes superações dos níveis de ação e, em alguns casos, dos limites de exposição ocupacional, sobretudo no verão e em horários críticos. Também se observou correlação negativa entre a elevação da temperatura média anual e os volumes produtivos, sugerindo que ambientes mais quentes tendem a reduzir a produtividade cafeeira. Esses achados reforçam a necessidade de estratégias adaptativas, como reorganização das jornadas, tecnologias de mitigação térmica e práticas agronômicas resilientes, conciliando a proteção da saúde ocupacional com a sustentabilidade da produção de café no Brasil.
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