Mercantilização da docência e esvaziamento do protagonismo docente: o professor entre a lógica produtivista e a formação humana
DOI:
https://doi.org/10.54899/dcs.v23i89.5410Palavras-chave:
Mercantilização da Educação, Trabalho Docente, Tutorização do Professor, Performatividade, Plataformização EscolarResumo
O artigo analisa a mercantilização da docência no contexto educacional contemporâneo, com atenção particular ao esvaziamento do protagonismo docente e à reconfiguração do professor como agente operacional de resultados. O objetivo é examinar de que modo a subordinação da educação a lógicas de desempenho, padronização e competitividade tende a deslocar o ensino-aprendizagem da centralidade formativa do professor para a entrega de indicadores, aprovações e metas administrativas. A abordagem é teórico-reflexiva, de natureza ensaística, e articula contribuições da sociologia da educação, das políticas educacionais, dos estudos sobre trabalho docente, da crítica ao neoliberalismo educacional e do debate contemporâneo sobre plataformização e datificação da escola. Discutem-se os efeitos da performatividade, do gerencialismo e das plataformas digitais sobre a autonomia pedagógica, o currículo, a avaliação e a relação professor-aluno, com atenção ao cenário brasileiro. Propõe-se a noção de tutorização do professor como categoria interpretativa para descrever a redução da docência à mediação operacional de materiais, protocolos e plataformas. Argumenta-se que, quando o professor é reduzido a essa função, fragilizam-se não apenas a qualidade da aprendizagem, mas também o sentido público da escola. Conclui-se que qualquer perspectiva consistente de melhoria educacional pressupõe o reconhecimento do professor como trabalhador intelectual, dotado de autoridade pedagógica, autonomia profissional e responsabilidade formativa.
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